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Amor, paixão e haicai

 os corações quebram as distâncias interpostas - oscila um só ritmo _______________________________ Fiz um monte de haicai quando eu estava estudando sobre o tema.  Não lembro bem do que li, mas fica a sensação de que tudo se aproveita, apesar da necessidade de se revisitar os estudos. Fiz alguns sobre amor, paixão, e penso, hoje, que amei muito pouco. Já paixão, para mim, esse fogo no corpo, é um onanismo mental, é um alimento consumido por si só, para si mesmo. Apaixono-me sempre. No amor pode haver paixão; na paixão, amor? Amor-próprio com certeza. E que esse alimento seja consumido; se com moderação, é combustível para a vida, para o futuro do presente; quando não com parcimônia, é um pandemônio, é um soterrar-se no abismo de si próprio, talvez uma obsessão narcísica. _______________________________ areal eterno navegado sob miragens - teu corpo deserto

Minha medida (e um haicai)

 ... por vezes são apenas os erros que eu já cometi (aquilo que entendo por - meus - erros). Eles me fazer circular e caminhar, circular e caminhar, como a dança dos sistemas planetários. Se aprendo algo, não tem sido além dos meus diletantes interesses. Se me deparo com algo além de minhas expectativas (ou aquém), acovardo-me.  Onde a insatisfação reina, o eu umbigoide reclama, por vezes com uma justiça farisaica, uma hipocrisia bradada do sofá. Minha medida deveria ser soltar as amarras e viver, mas ainda não estou preparado a ir de encontro a um ideal incutido em meu corpo, em minha mente. (Talvez por isso a análise - psicanálise - não tenha dado certo. Talvez estivesse dando, mas foi necessário me acovardar para não enfrentar a liberdade de viver entre as faltas) Ainda sonho com o caminho, mas tenho medo de trilhá-lo. (Via láctea) olho para cima céu estrelado, caminho estrada romana

Setembro Amarelo

[...] Tens, como Hamlet, o pavor do desconhecido?  Mas o que é conhecido?  O que é que tu conheces,  Para que chames desconhecido a qualquer coisa em especial?  Tens, como Falstaff, o amor gorduroso da vida?  Se assim a amas materialmente, ama-a ainda mais materialmente:  Torna-te parte carnal da terra e das coisas!  Dispersa-te, sistema físico-químico  De células noturnamente conscientes  Pela noturna consciência da inconsciência dos corpos,  Pelo grande cobertor não-cobrindo-nada das aparências,  Pela relva e a erva da proliferação dos seres,  Pela névoa atômica das coisas,  Pelas paredes turbilhonantes  Do vácuo dinâmico do mundo...

Amo Bee Gees!

       (Era isso) Não, não era só isso. Era sobre pensar na formação e de(sin)formação de uma pessoa. Em como meus pais foram importantes em ambos os casos. Genes fora, do meu pai herdei o gosto por histórias policiais, por natureza, animais (nesses casos todos, imagens, ele lê pouco, mas quando lê, é o leitor mais rápido que conheço, e consegue conversar com você sobre passagens específicas -- queria ter a memória dele), por música clássica, jazz, blues, Elton John e... Bee Gees!

The Wire e seu tom

       Comecei a assistir The Wire semana passada e, em meio a trabalho, mestrado e filhas, já estou na terceira temporada. Tempo livre? Talvez sim, talvez não, talvez cura pra uma depressão hehehe Após a primeira e segunda temporadas, percebi que a série estabelece meio que um "modelo" pra diversas outras franquias, tais como Bosch (pelo realismo) e Brooklin 99 (sim, até mesmo B99 bebe dessa fonte), só para citar algumas. Tudo bem que Bosch tem o realismo já presente nos livros, mas em termos de narrativa televisiva se aproxima muito de The Wire. A tal "escuta" (equivalente a wire) que os policiais instalam só aparece lá pra depois na primeira temporada, mas desde o início (e até agora, pelo menos), estão presentes temas como racismo, violência, sexualidade, corrupção, vício etc. Vale muito ver a série. Dei boas risadas, fiquei emocionado com muitas passagens, identifiquei-me com conflitos de diversos personagens e refleti sobre o fato de como somos levados a acred...